17 December 2006

QUASE PERFEITO!

“Posta Concerto” sobre a nossa última prestação em palco no Bar Blá-Blá em Matosinhos, na sexta-feira da semana passada.

Conclusões:
1) Como previsto, na noite anterior, fizemos o reconhecimento ao local, e logo aí pudemos constatar que íamos ter um som à altura.
Não nos enganamos.
O problema foi no dia seguinte ao final da tarde, quando nos dirigimos ao Bar para fazer o sound-check. Aí chegados, depressa constatámos, que pelo menos um dos nossos instrumentos, é que não estava à altura do som que a sala tinha para nos oferecer – a bateria do Peter.
Aquilo está mau, meus amigos, muito mau!
Foi preciso quase um milagre para aquilo soar a uma bateria a sério…
Logo ali se propôs escrever uma carta ao Pai Natal, a ver se deixa uma bateria nova no sapatinho ao rapaz, ou em alternativa, fazer uma sociedade, vulgo “vaquinha”, entre todos (0,50 cêntimos a cada um!) e jogar 2,00 € no Euro Milhões, nunca se sabe.
Na noite de dia 24 teremos mais notícias…ou talvez não.
2) Bar Blá-Blá - Excelente espaço para concertos e outros eventos, como tivemos a oportunidade de presenciar nessa noite antes de subirmos ao palco. Fomos presenteados com uma actuação / encenação do editor do livro do M., a fazer lembrar, em alguns aspectos da sua presença em palco, Adolfo Luxúria Canibal, vocalista de uma das minhas bandas portuguesas favoritas - Mão Morta.
3) Casa muito bem composta. Quase cheia.
Apesar da ausência de alguns dos nossos convidados pessoais, que levaram falta a vermelho, a verdade é que os nossos mini-grupos de fãs não faltaram.
Digo nossos, porque temos mais que um evidentemente. E melhor do que isso, cada um tem o seu. Não há cá misturas!
O do Sá parece ser o mais despido, mas ele também não merece mais.
No entanto, como muita gente estava ali para apoiar os autores que nessa noite lançavam as suas obras, confesso que cheguei a pensar, que após tais apresentações, a maioria do público presente, sairia em debandada rumo a outras paragens.
Ainda para mais, quando nas imediações da zona do bar, existe uma oferta ilimitada de espaços nocturnos. Locais talvez mais propícios para se estar, atendendo a hora adiantada a que começamos a tocar.
Errado!
À medida que ia montando o material, fui-me apercebendo que o público presente não facilitou, e por isso, por ali ficou, acompanhando-nos até ao fim da nossa actuação.
4) Line-up – A coisa estava dividida em 3 partes.
Cinco músicas seriam tocadas independentemente do que acontecesse, ou seja, tinham que levar connosco à toda a força, e depois vinham 2 encores.
Um com potencial efectivo, e outro mais remoto.
Aliás, tão remoto que o M. chegou mesmo a escrever nas folhas por cima do 2º encore a seguinte expressão: “DUVIDO!”
É que a noite era dedicada à literatura, e nós tínhamos sido convidados mais para complementar o evento, do que propriamente para sermos a atracção da noite.
Logo, o nosso tempo em palco era limitado, até pela vizinhança do Bar, que segundo os responsáveis, parece que não gostava muito de ter meninos a fazer barulho naquela zona a partir das 2.00h da manhã.
5) Início do espectáculo – Senti na banda, um misto de nervoso miudinho misturado com a ansiedade de querer começar a tocar. Coisa normal nestas ocasiões. No entanto, depressa se dissipou e foi incapaz comprometer a actuação que se avizinhava.
“Prologue” abriu as hostilidades.
A notar pelos calorosos aplausos finais, diria que foi muito bem recebida.
Face a esta reacção, estávamos embalados.
Começamos então a presentear a plateia com o nosso rol musical, quase umas atrás das outras, com curtos “Obrigado” por parte do M. entre elas. O tempo suficiente para eu mudar de guitarra, que não havia um segundo a perder.
Por esta ordem: “Funny Little Town”, “A Few Days Ago”, “Mr. Person” e “A Forest – THE CURE Cover” foram as contempladas.
Excelente som, excelente reacção do público a cada música tocada, e muito boa (não digo excelente, porque mesmo assim, penso que somos capazes de fazer melhor!) execução dos temas pela nossa parte, o que também ajudou.
Estavam reunidos todos os tónicos para que o público presente pedisse um encore.
Assim foi.
6) Encore – Terminada a “A Forest”, ficámos naquela: “E agora?! Vão querer mais?” “Se quiserem, peçam que nós tocamos!” Foi mais ou menos este o pensamento que rondou as nossas cabeças no fim da actuação.
Eu ainda encostei a guitarra, tipo a fazer-me difícil, mas o resto da banda não abandonou os seus postos.
O Peter por exemplo, nem levantou a peida da bateria.
Depois de uma curta conferência, para decidir o que já há muito estava decidido, retomamos posições, e partimos para o encore.
Temas previstos, 3, a saber: “Glass Shoe”, “Bitter End – PLACEBO Cover”, “Looking For a Singer!”
A “Glass Shoe” correu bastante bem. De notar a presença de umas meninas com as quais já nos havíamos cruzado no restaurante onde jantamos, desta feita, a animarem o espaço ao dançarem abraçadas ao longo de toda a música, numa extensão dos festejos de uma despedida de solteira que estavam a celebrar. Gostei de ver a cumplicidade que reinava entre elas, principalmente a potencial noiva, que ia recebendo incentivos das amigas enquanto dançava abraçada a uma delas. (Já foste! Pensei cá de cima…)
Seguia-se a “Bitter End”. E digo seguia-se, porque aquilo que começamos a tocar não soava nada ao tema dos PLACEBO.
Problemas técnicos, ou desconcentração generalizada da banda, a verdade, é que ia por ali tamanha salgalhada, que decidi interromper aquilo para dizer alto e em bom som: “QUE É ESTA MERDA CARALHO????!!” Literalmente.
Ora, como curiosamente paramos de tocar todos ao mesmo tempo, escusado será dizer que tal desabafo se ouviu em toda a sala. Até parecia que a coisa tinha sido ensaiada, ao ponto de haver propostas por parte do Sá para repetirmos a façanha no próximo concerto.
Mas não. Houve ali qualquer coisa que falhou. O baixo do Sá deixou de se ouvir por momentos e penso que isso acabou por nos trocar as voltas a todos.
O M. apressou-se a informar os presentes, que estávamos perante “problemas técnicos”, não fosse o people pensar, que afinal nós não tocávamos peva, e que até ali tinham estado a ouvir um playback de uma banda qualquer.
Enquanto o Sá tentava resolver o problema, era preciso encher chouriços em cima do palco.
É então que o Peter se vira para mim e diz:
-“Vamos tocar aquela enquanto?”
Ao que eu respondo:
-“Mas aquela qual?”
-“Aquela! Aquela, pum, pa pum…” diz ele. (Sim porque este artista ainda não decorou os nomes das músicas, e por isso só lá vai assim com códigos…)
Sem saber bem aquilo que ele queria, apercebi-me que talvez ele pretendesse tocar o tema instrumental, e começo fazer os acordes da “Noir” e digo:
-“Esta?”
Ao que ele responde:
-“Sim, sim! Siga!”
Assim foi, até que o M. veio ter connosco e disse para recomeçarmos onde estávamos.
Meu dito, meu feito.
“Bitter End” de novo a rolar. Mas apesar de já soar a PLACEBO, o baixo continuou a não se ouvir. No entanto, a coisa foi até ao fim sem mais acidentes de registo.
O público, esse, meio incrédulo sobre aquilo que havia acabado de assistir, verdade ou encenação, aplaudiu como se não houvesse amanhã.
Até que chegamos ao último tema do encore “Looking For A Singer!”.
Sem nada de mais a registar, a não ser um ou outro “preguito”, fruto talvez do que se havia passado no tema anterior, a verdade é que acabamos em grande.
O público estava rendido, e ainda houve uns tímidos pedidos do 2º encore.
O M. ainda disse ao micro “Se quiserem nós tocamos mais!”
Mas o homem do som, depressa se dirigiu para o palco a dizer que o nosso tempo tinha terminado, e provavelmente, a paciência dos vizinhos tembém.
Era mesmo o fim.
7) Reacções – Mal terminou o concerto, os nossos convidados vieram de imediato ter connosco para nos felicitar.
Ao meu grupo, só faltou subir para o palco. A excitação era muita. Só não percebi, se tal facto foi mesmo fruto da nossa prestação, ou se era resultado dos níveis etílicos, que em alguns deles, já se faziam notar.
Seja como for, e momentos depois de arrumarmos o material e de nos voltarmos a reunir, chegamos à conclusão de que este foi talvez o nosso melhor concerto.
Pois pela primeira vez, conseguimos ali encontrar 3 aspectos que são essenciais para um bom concerto: excelente espaço para tocar, pessoal qualificado para fazer um bom som de palco, e excelente público, que estava ali com espírito e mente aberta para nos ouvir, mesmo que alguns deles nunca tenham ouvido falar de nós.
Ou seja, não estavam ali a fazer nenhum frete! Isso foi notório.
Por isso os meus PARABÉNS para eles – GRANDE PÚBLICO!
De seguida que dizer?
Bebemos uns copos bem bebidos, confraternizamos com os convidados, autografamos uns cd´s que havíamos vendido, arrumamos a tralha, e andamento que se faz noite!
O Sá estava maravilhado com a sua actuação, e por isso durante a viagem para casa não se calou um segundo, enquanto eu e o Peter queríamos era descanso.
Mal o deixamos em casa, regressou a calma e imperou o silêncio naquele veículo até à próxima paragem.
Afinal já não tínhamos grande coisa para dizer sobre o concerto e o adiantar da hora, também não convidava propriamente para grandes cavaqueiras.
Já ambos sabíamos que tinha sido quase, quase perfeito!

mARK

Como ainda não tenho fotos disponíveis do último concerto, deixo já aqui o cartaz do próximo evento, a realizar dia 13 de Janeiro 2007 na Fábrica do Som (Porto - Perto da República, para os frequentadores da casa!)

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